Álcool + direção = mais duas mortes

A mistura álcool e direção foi a causa da morte violenta de dois jovens, na madrugada desta sexta-feira (31). Por volta das 03h, o universitário Carlos Raphael de Nadri Mota, 22 anos e o programador Ellisson Vieira Dilly, 25, morreram na Avenida Dante Michelini, na praia de Camburi, em Vitória. O Peugeot placas MSK 4207 dirigido por Carlos Raphael se partiu ao meio, após se chocar com um poste.Várias partes do carro ficaram espalhadas pela pista. O veículo foi retirado do local e os corpos levados para o Instituto Médico Legal (IML) de Vitória. Os familiares dos dois jovens estiveram no IML, mas não quiseram falar com a imprensa.O jovem Carlos Rafael Motta era estudante de estatística. Já Elison Dilly trabalhava como programador. Ambos estavam em uma churrascaria, no bairro de Jardim Camburi. O motorista levaria o amigo, que morava em Jardim da Penha, para casa.Segundo o titular da delegacia de delitos de trânsito, delegado Fabiano Contarato, foram encontradas 10 decigramas de álcool no sangue de Carlos Raphael de Nadri Mota, que dirigia o carro. Já no corpo de Ellisson Vieira Dilly foram encontradas 18,1 decigramas de álcool. “Lamentavelmente, dois jovens morreram resultado pelo excesso de velocidade e utilização de álcool”, disse o delegado.Fabiano Contarato destacou que o velocímetro parou a marcação em 120km/h. Os resultados do exame etílico e toxicológico serão oficializados nesta segunda-feira (03). O inquérito já foi instaurado e o prazo de conclusão é de 30 dias. Segundo Contarato, deve ser feito o arquivamento do inquérito, a não ser que seja provado o envolvimento de outro veículo, hipótese praticamente descartada pelo delegado.Todos os anos, 50 mil pessoas morrem em acidentes de trânsito, no Brasil. Pouco mais de um ano depois da Lei Seca, que estabelece tolerância zero para a mistura álcool e direção o número de mortes e mutilações continua grande. Para o delegado, a falta de fiscalização contribui para o desrespeito à lei. “A sociedade tem que para e refletir, pois a vida está sendo banalizada. É lamentável ver a dor das famílias”, disse o delegado.Na reportagem “ES é destaque na morte de jovens”, publicada na última edição do ES Hoje impresso, nº 237, a professora Márcia Rodrigues do Departamento de Ciências Sociais, da Ufes, destaca que as estatísticas dos acidentes de trânsito mostram que o jovem provoca ou sofre acidentes, pertence, em sua maioria, à classe média ou média alta. Segundo Rodrigues, acontece uma segmentação da juventude e cada um é afetado por um tipo de violência específica.Como destaca a especialista, o jovem que faz parte da população carcerária no Brasil ou que está envolvido com a criminalidade é, em sua maioria, afro descendente. “Isso não tem relação com a etnia, mas com uma nuance socioeconômica. Os negros ainda têm menos acesso à saúde e a educação, por exemplo, e são vítimas da desigualdade social”, destaca. Segundo Fabiano Contarato é difícil encontrar alguém preso no Brasil, por crime de trânsito. Como destaca o delegado, dificilmente há punição.

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